Pesquisa personalizada

Economia da felicidade

Num inquérito conduzido por Sara J. Solnick e David Hemenway (*) perguntou-se a alunos e docentes da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard se preferiam ganhar 50 mil dólares por ano enquanto todos os outros ganhavam 25 mil dólares, ou ganhar 100 mil dólares, enquanto todos os outros ganhavam 200 mil dólares. A maioria escolheu a primeira opção. Que verdade económica está por trás desta intrigante história? Na década de 1970, o economista nova-iorquino Richard Easterlin observou que em nações ricas, após se ultrapassar um certo nível de rendimentos, a felicidade não aumentava quando se alcançava maiores rendimentos - um conceito actualmente conhecido como "o paradoxo de Easterlin".

Mais recentemente, descobriu-se que a alegria está ligada à actividade na zona frontal esquerda do cérebro. Com máquinas que conseguem hoje medir estas actividades cerebrais e obter dados de amostras de população de diferentes condições, os economistas começaram a analisar o que estes dados nos podem dizer, criando assim um novo campo de pesquisa académica. Em 2008, professores da Faculdade de Economia de Wharton, Pensilvânia, utilizaram estes dados para demonstrar que os rendimentos são efectivamente um factor que se relaciona de forma intensa com a felicidade, mas esta escola de pensamento deve ser abordada tendo em mente dois importantes avisos.

Primeiro aviso

O dinheiro pode ser usado para efectuar comparações (mais do que para comprar felicidade), o que cria um círculo de infelicidade.
O economista inglês Richard Layard, professor em Leicester, escreveu um livro apaixonante (**), que aprofunda o estudo de Easterlin com uma proposição: assim que um ser humano cobre as suas necessidades básicas (com 15 mil dólares), o dinheiro é progressivamente usado para se comparar com os outros - ou seja, os estudos sobre a felicidade levados a cabo por Layard demonstram que os bens de luxo apenas providenciam uma felicidade passageira. Veja-se, por exemplo, a compra de um carro topo de gama. Assim que o nosso vizinho compra um carro semelhante, a felicidade que obtivemos esvazia-se - e somos compelidos a tentar distinguir-nos de novo através da aquisição de outro objecto de maior valor.
De forma a obtermos os recursos económicos necessários, trabalhamos cada vez mais e mais horas, e, quando conseguimos adquirir o novo objecto desejado, ficamos de novo felizes durante algum tempo. Mas isto conduz a um ciclo vicioso: ao trabalharmos mais e mais horas, sacrificamos outras fontes de felicidade (de que tratamos mais à frente), com o resultado paradoxal de que a nossa felicidade final pode ao fim e ao cabo ser menor do que a felicidade que tínhamos no início. Como afirma Layard, "uma das maiores fonte de infelicidade é compararmo-nos com os outros". Enquanto tendemos a notar as posses de pessoas mais ricas, a nossa permanente insatisfação traz-nos uma frustração endémica que é difícil de superar.


Ler +

ed
0 comentário(s)

Sem comentários:

Enviar um comentário